terça-feira, 16 de junho de 2009

Diário de Bordo #1



Pegamos o ônibus na rodoviária as 22:00h, uma viajem angustiante pra mim, divertida e ansiosa pra outros, esperançosa em termos de trabalho, enfim, cansativa e um pouco agonizante pois o frio era tremendo. 19° era o que dizia a termômetro. Tivemos a primeira parada e saída do ônibus a 01h30 mais ou menos pra a travessia da balsa. Uma lua linda e brilhante, o rio, as margens... Todos ansiosos com a tão esperada chegada.

Chegamos, ufa!

As 6:00hs, tiramos todas as nossas pesadíssimas e enormes bagagens, decidimos que uns iriam levá-las até o Espaço Vrena e os outros pra casa da avó da Dani, tomar café da manhã e esperar o restante.

A dona Francisca, uma senhorinha linda, me pareceu muito jovial e que adora santinhos, nos recebeu com sua calorosa simpatia... Tomamos café e fomos para o sítio da família, comer carnes, um lugar bonito, mais com um ar misterioso. Muitas instalações, por todos os lados, fios elétricos, pneus, madeiras, ferros, garrafas plásticas que se misturavam com folhas, árvores, frutos e um senhor que agora não me recordo o nome, que lhe oferece um chá de ervas que ele mesmo faz, com um cheiro bem familiar, só que mais fraco.

Bebemos, comemos, conversamos de montão, brincamos, nos pintamos... Chegou à hora de irmos pro Vrena arrumar tudo, pro próximo dia que nos esperava nessa pequena e longa jornada.

O Espaço Vrena, que lugar maluco, bonito, mais maluco. O que é diferente nos assusta um pouco, logo na entrada possui diversas cabeças, expressões de todos os tipos, gritos, medo, olhares, alegrias e raivas, coisa de louco. A casa é enorme e fomos recebidos pelo próprio Vrena, escultor e dono da casa cultural, nos mostrou os quartos e nos deixou super a vontade. As crianças se animaram com a piscina, e logo se trocaram e foram brincar, o que é de direito! Esculturas espalhadas por todos os lados, seres encantados, curupira, mapinguari, cobra grande, sereia, boto, duende e imagens de pessoas com expressões negras, mas o mais sinistro de todos é em uma parte onde tem nove encapuzados em forma de circulo e com uma fogueira no meio, super ritualístico, mas um pouco assustador, aos meus olhos.

Enfim, conhecemos tudo, brincamos, bebemos mais um pouco, esquecemos a mascara do mapinguari que tinham acabado de fazer no ônibus, confeccionamos umas pipas para a exposição da Dani, jogaram o Juca na piscina, logo depois a Dani, que não curtiu muito a brincadeira, dai jantamos, começamos a tocar e me entreguei ao sono e não sei mais o que aconteceu.


Marilua


*Marilua é uma das integrantes do Grupo Experimental de Teatro Vivarte, que está realizando o projeto "Residência Artística" em Porto Velho.

Um comentário:

cunia disse...

Gostei muito.
Legal.
Maneiro.
Muito bom mesmo
Sei lá.
Legal!